Obras de Belo Monte ameaçam Terras Indígenas


Como é que a Norte Energia, juízes, AGU, governo, Ibama, Funai podem afirmar que as Terras Indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande não serão afetadas pelos impactos de Belo Monte? O desenho acima é claro quanto às distâncias e foi retirado de documentos oficiais da NESA e, inclusive, fiz questão de manter a escala que está na legenda. Não deixa dúvidas da proximidade.

Canteiro Pioneiro no sítio Belo Monte
Começa pelas obras no sítio Pimental que estão cerca de 6 quilômetros, apenas, da Paquiçamba. As obras do reservatório dos canais estarão a menos de 7 quilômetros. O agravante, no caso do reservatório dos canais, está no fato que serão construídos dezenas de diques próximos às margens do rio Xingu. 


Canteiro de obras vila Belo Monte
Se considerarmos as proporções e a abrangência das interferências dos canteiros de obras veremos que essas distâncias, além de insignificantes, tendem a diminuir, seja pelas vias de acesso, seja pela presença dos operários que são estranhos à região. Ontem divulguei uma imagem das escavações no sítio Belo Monte para se ter uma ideia do seu alcance. Eis mais algumas.
Travessão 27, Sítio Pimental e acesso às obras do canal de derivação
Reservatórios

Comentários

  1. ELEFANTES BRANCOS

    As decantadas usinas de biomassa não são a maravilha que andam apregoando. Utilizam bagaço de baixo poder calorífico em um processo termodinâmico antiquado que ainda utiliza caldeiras a vapor, verdadeira reminiscência arqueológica da revolução industrial.
    Em termos de gastos correntes pode-se até dizer que o rendimento monetário pode ser quase infinito porque usam um insumo de valor comercial desprezível que nem as olarias e cerâmicas utilizam. Não compensa o transporte.
    Mas, não basta ter elevado rendimento quando se computa apenas gastos correntes. Hidroelétricas e eólicas já têm gastos correntes zero porque água e vento não tem custo.

    O que realmente importa e precisa também ser levado em conta é o custo de capital de instalações e equipamentos que permanecem ociosos nos períodos de entressafra. Neste, incluído o custo de capital dos comboios (treminhões) no transporte de 90% de água e bagaço contidos na cana e que são inevitáveis porque são inerentes ao processo arcaico de produção.
    O consumo equivocado de bagaço requer custosas instalações de grande porte que nem deveria ser utilizado em “calor de processo”, pela mesma razão citada, muito menos para gerar energia elétrica num processo equivocadamente chamado de cogeração.

    A verdadeira cogeração é a utilização de usinas de ciclo combinado, através de termoelétricas a gás ou álcool associadas na mesma planta, com pleno aproveitamento da energia calorífica do combustível:
    - Energia eletro-mecânica útil no eixo do conjunto turbina-gerador.
    - Energia calorífica – considerada como perdas nos gazes de escape - utilizado para economizar bagaço que, por sua vez, é reservado para fins mais nobres.
    No sul e cerrado mineiro o bagaço de cana tem sido usado na fabricação do rico composto orgânico fermentado com sobras de café despolpado e vinhoto por via úmida que, lançado nos rios constituem severa ameaça ao meio ambiente. No mais das vezes é utilizado como cama de aviários, pocilga e confinamento de bois. Em última instância, como cobertura morta de pastagens degradadas.

    As atuais usinas de cana de açúcar e álcool deveriam passar por um processo de modernização para que o produto se torne competitivo. Por exemplo, os veículos, inclusive comboio de treminhões, deveriam ser mais leves e a etanol de fabricação própria, para justificar sua economicidade. No entanto os veículos continuam obviamente sendo abastecidos com diesel subsidiado.

    Para se tornarem realmente eficientes na produção de eletricidade e calor de processo, cada usina térmica antiga à caldeira deve ser combinada a instalação de uma turbina a gás na mesma planta gerando eletricidade no eixo, ao mesmo tempo que os gases de escape produzam calor, eliminando a queima de bagaço, mais útil para outros fins.

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  2. O COMPLEXO DE VIRA-LATAS

    O Sistema elétrico brasileiro – bem como o Pré-sal – não é nenhuma “dádiva de Deus que vai permitir o resgate da imensa dívida social...ete e etc”. Mas, é fruto da experiência adquirida ao longo do último ½ século de aprendizado com as empresas canadenses e petrolíferas. Hoje, o Brasil dispõe dos melhores técnicos e empresas do setor de energia elétrica e térmica. Falta apenas completar a rede de gasodutos em paralelo ao sistema elétrico de modo a constituir um todo: O ‘Sistema Energético Nacional’, que constitui o cerne ao qual serão ancoradas as diferentes fontes de energia, seja potencial das águas, seja a cinética das águas e dos ventos, seja da energia química dos combustíveis.
    O importante é que este sistema não tenha dono nem seja monopólio de nenhuma empresa em particular, mas de um Pool de empresas gerido por um colegiado com a participação de todas, tal como é a gestão do Sistema elétrico interligado pelo Operador Nacional do Sistema.

    DOENÇA HOLANDEZA
    Contar com a providência divina para o sucesso alcançado no setor energético – petróleo e eletricidade – revela subdesenvolvimento, alem de um menosprezo pela capacidade dos nossos técnicos.
    Explorar petróleo para exportação e repartir riqueza é coisa que republiquetas e países árabes já vêm fazendo há muito tempo e nada indica que tenham melhorado a vida de seu povo.
    A grande riqueza está mais é no talento e esforço dos nossos profissionais para alcançar – palmo a palmo – o estado atual do sistema energético.
    A estratégia – que produziu tanto resultado eleitoral – deve ser repetida agora para atrair novos acionistas e empresas nacionais e multinacionais para que venham compartilhar os riscos e perdas da exploração do petróleo e energia elétrica.

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